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O mito da resiliência e a realidade

Publicado em: 11/05/2017


O mito da resiliência e a realidade

Resiliência é um tema que me chama muito a atenção e por isso sempre que posso leio alguma matéria, artigo, ou qualquer outra coisa sobre o assunto.

Ontem lá estava eu, lendo uma matéria que visava ensinar as pessoas a serem resilientes por meio de dicas infalíveis e afirmando que estes seres humanos evoluídos não sentem raiva, não ficam tristes, que não se frustram com nada, que esquecem completamente as adversidades que vivenciam e que estão sempre sorrindo. Uau!

Fiquei pensando como isso seria fantástico! Você já imaginou como seria a sua vida se conseguisse atingir esse nível de perfeição? Pois é, mas nós sabemos que na prática as coisas não funcionam bem assim.

Chega a ser cruel exigir de nós, meros mortais, que devemos ser fortes e felizes o tempo todo, é como negar toda a complexidade que constitui o ser humano. E pior que isso é que grande parte de nós acreditamos nesse modelo de perfeição e buscamos nos adaptar obstinadamente, como se precisássemos disso para nos encaixar e mostrar o quanto somos bons. É relativamente fácil fazer isso quando a vida vai bem, o problema é manter isso quando alguma coisa desmorona.

Quando isso acontece, é comum as pessoas continuarem a sorrir na frente dos outros e a afirmar que está tudo bem, mas quando estão sozinhas percebem que a realidade não é igual. Outras até tentam conversar e dizer aos amigos o que lhe vai na alma, mas boa parte desiste de continuar confidenciando quando ouve que precisa ser forte e não ligar para essas coisas. Nós passamos a acreditar que ser forte é sinônimo de não sentir dor ou não falar sobre ela e passamos a nos emudecer. Quando o tempo passa, dependendo do que estivermos sufocando dentro de nós, percebemos que aquilo se transformou em algo maior e que conseguiu tirar até o nosso brilho nos olhos. Em muitos casos, evolui até para uma depressão ou outras patologias e tudo isso porque acreditamos na ilusória perfeição que nos foi cobrada.

A grande verdade é que bancar o que se sente, admitir as próprias vulnerabilidades não é para qualquer um, porque isso dói e esse é o grande passo para o desenvolvimento da resiliência. Não é a fuga da dor ou das nossas sombras que nos torna fortes é justamente a capacidade de enfrentamento, é o ir à luta e desbravar os nossos caminhos internos que nos desenvolve, que nos empodera, que realmente nos torna pessoas fantásticas. É finalmente entender que ninguém pode te dizer o que vai ou não doer em você, te fazer chorar ou até sorrir, porque você é dono de si mesmo.

Não permita que os otimistas de plantão minimizem o que você sente, pois ao contrário do que muitos acreditam, a tristeza e a raiva tem um papel fundamental nas nossas vidas e no nosso crescimento, se bem canalizadas podem fazer maravilhas por você. Acredite, já fez por mim.

A verdadeira definição de resiliência, usada pela psicologia, diz que é a capacidade de uma pessoa desenvolver-se a partir da ressignificação de uma adversidade, ou seja, ela não voltaria ao estado original, mas minimizaria os danos causados pelo fato adverso (Yunes; Szymanski, 2001; Ungar,2004). Sendo assim, aceite suas limitações, escancare o seu peito, convide seus fantasmas para um bom bate-papo, olhe para eles para conhece-los melhor, afinal fazem parte de você e da sua história. Vá à luta, enfrente o mundo e a si mesmo se necessário e cuidado com as receitas prontas de "bolo" que dizem como ser feliz. Que tal fazer a sua própria?

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